sábado, 14 de agosto de 2010

Rio: três cidades numa só

Cheguei ao Rio de Janeiro há uma semana. Vim “de mala e cuia”, como diria o gaúcho, por razões profissionais. Sem mais motivos a declarar. De qualquer modo, é impossível vir para cá sem as duas cidades presentes no nosso imaginário: a violenta e a turística.

Da cidade violenta, por enquanto, só ouço rumores. Todos os dias alguém, por algum motivo mórbido desconhecido, conta histórias de assaltos curiosos. Vai desde o ladrão que não quis roubar o celular ultrapassado da mocinha universitária até a jovem que xingou o assaltante porque ele reclamou do pouco dinheiro que ela tinha. “Eu sou estagiária, eu pago pra trabalhar, você tá pensando o que?” gritou a vítima.

Da cidade turística, vejo o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor à distância. Lá estão os dois, imponentes, compondo uma paisagem bonita, é verdade, mas pouco acessível. Para desfrutar de qualquer uma dessas duas atrações é necessário ter R$ 40 sobrando. Na primeira semana morando aqui, percebi que essas e outras vantagens são para as pessoas que vem para passear. Gente como eu, que cumpre expediente diário, não consegue tempo para fazer esses passeios e, quando consegue, prefere fazer outras coisas.

Por essa vocação turística, o Rio de Janeiro é caro. Isso sim, turistas e moradores sentem diariamente. Até agora, considero que só sofri um assalto. Foi quando comprei um cafezinho sem perguntar o preço antes.

Percebi, então, que existem três cidades diferentes em uma só: para quem nunca veio aqui, existe o Rio de Janeiro violento e a “cidade maravilhosa”. Para quem vive, tem a cidade funcional, com trânsito complicado, custo de vida caro e poucas horas de lazer. Mesmo assim, se juntar as três, creio que vale a pena.