sábado, 13 de novembro de 2010

Lugo, o reprodutor

Hoje abatido por um câncer, antes por acusações de estupro presumido. Na vida pessoal, o rumor gerado pela troca do hábito pela política. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, é um homem controverso, mas que mantém boa popularidade.

Lugo foi bispo, mas abandonou a Igreja. Depois de se tornar presidente, apareceram mulheres afirmando terem filhos dele. O político não negou ser pai e, com isso, manteve a boa imagem perante as partes mais pobres do país.

Ouvi de um professor paraguaio que mora no Rio de Janeiro uma história que parece absurda, mas tem sentido: A Guerra do Paraguai acabou com mais da metade da população do país. Alguns dizem que 90% dos jovens em idade reprodutiva foram mortos, o que causaria uma redução gigante na taxa de natalidade do país.

A Guerra acabou em 1870 e, a partir de então, se criou no país uma cultura de povoação. Ao final do conflito, os meninos já sabiam que, no futuro, teriam que ter muitos filhos para não deixar que a população acabasse. Segundo o professor, essa cultura continua até hoje, tanto que a taxa de natalidade é de 3,8 filhos por mulher, a segunda maior da América. É comum, em comunidades isoladas, homens terem mais de uma esposa e muitos filhos e netos.

Os dados somados à aceitação dos atos do presidente comprovam que os paraguaios são adeptos do ditado de que o “rasgado não deve falar do descosturado”.

Os números a seguir são do jornal El País e foram publicados em 2009: Cerca de 80% das mulheres do país foram vítimas de abuso sexual, segundo a Comissão de Direitos Humanos; Sete de cada 10 filhos são registrados só pela mãe; Oito dos 45 presidentes paraguaios foram filhos de mães solteiras, e pelo menos 17 tiveram filhos ilegítimos.

Essa cultura da procriação, segundo essa teoria, seria a responsável por absolver Lugo de ter se reproduzido, mesmo estando em celibato.