segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O prefeito e as esmolas

Entre sorrisos e abraços, o prefeito de La Paz, na Bolívia, Luis Revilla, saiu às ruas para pedir dinheiro. O objetivo dele era reunir os US$ 14.200 relativos à fiança que deve pagar devido à uma denúncia feita pelo Governo de Evo Morales. Ele disse que não tinha a quantidade de dinheiro cobrada pela Justiça e por isso recorreu às contribuições.

Revilla, que integra o esquerdista Movimento Sem Medo (MSM), ex-aliado de Morales, percorreu a pé o centro de La Paz para agradecer a ajuda das pessoas que depositavam moedas em latas.

"Estão apoiando não só o prefeito, mas a cidade. É um apoio para que a cidade não pare, para que continue se transformando, e para que não caia nas mãos daqueles que a destruíram antes de nosso Governo municipal", declarou o prefeito. A Controladoria Geral denunciou Revilla por dano econômico ao Estado por meio da suposta cobrança irregular de diárias de viagem. Ele negou a acusação e disse que é uma tentativa de Morales de retomar a Prefeitura de Laz Paz, que perdeu nas urnas em abril passado.

O prefeito ainda contou com a ajuda de partidários nas cidades de Tarija, Santa Cruz, Cochabamba e Sucre, a capital do país. O resultado da ação foi a arrecadação do equivalente a quase 17 mil dólares, 3 mil a mais do que ele precisava. Revilla pagou a fiança e disse que vai doar o dinheiro para alguma instituição. Diante dessa inusitada ação política, ainda é possível chamar Lula de populista?