terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Todo mundo sabia

Todos os anos algum morro, em algum lugar do estado do Rio de Janeiro, desaba e dezenas de pessoas morrem. Esse fato é corriqueiro todos os verões, tanto que quando começa a cair uma chuva muito forte, as redações já ficam em alerta. Porém, se um fato assim é previsível, onde estão os responsáveis por isso?

Na semana passada fui ao Palácio Guanabara, sede do Governo do Rio, onde vi uma presidenta recém eleita e um governador com altos índices de popularidade com aquela cara de criança que fez arte. Dilma Rousseff e Sérgio Cabral não falaram sobre responsabilidade ou culpa própria, mas nem precisava. Cabral, inclusive, chegou a aumentar o tom de voz para dizer que as autoridades precisam ser rígidas e dizer “não” às pessoas que pretendem construir casas em áreas de risco. Falar, ele falou, mas fazer...

A catástrofe das chuvas no Rio de Janeiro não é um alerta – pois este já foi dado há tempos. Mas não adianta gritar no ouvido do surdo. Enquanto não houver um governante corajoso a ponto de perder votos para salvar vidas, a situação continuará se repetindo.

É ruim para as pessoas, mas também para a imagem do Brasil no exterior. A tragédia fluminense tomou proporções semelhantes aos terremotos do Chile ou do Haiti. Tanto que vários líderes mundiais já se manifestaram sobre o ocorrido, desde Dalai Lama, líder budista, até Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã. Ainda mais que isso ocorre no Rio de Janeiro, cartão postal brasileiro e próxima sede de Copa e Olimpíadas.

É triste, mas tenho certeza que em 2012, nessa mesma época, estarei neste espaço falando sobre o mesmo assunto. Ou isso, ou Dilma vai ter que mostrar que é tão firme quanto dizem por aí. Oremos.