quarta-feira, 9 de março de 2011

Mulheres na ONU

O dia 8 de março é uma das poucas datas comemoradas pelo mesmo motivo no mundo inteiro: é quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher e, de fato, esta celebração acontece. Uma das mulheres mais reconhecidas internacionalmente e que foi a primeira a ser eleita para o cargo de presidenta de um país latino-americano, Michelle Bachelet concedeu entrevista ao diário espanhol El País como diretora estreante da recém criada agência das Nações Unidas (ONU) para as Mulheres.


A ex-presidenta do Chile, de 59 anos, se disse persistente e otimista no novo cargo. Perguntada se poderá denunciar os países que desrespeitem os direitos das mulheres, Bachelet reiterou o argumento da persistência. Disse que “pouco a pouco”, pois em alguns momentos se avançará de forma rápida, mas, em outros, de forma mais lenta. Ela sabe que luta contra culturas difíceis.


Vale lembrar que Bachelet é mãe solteira, descrente e, como primeira presidenta chilena, rompeu barreiras sociais e religiosas. Ela vê nos conflitos no mundo árabe uma “tremenda oportunidade para a causa das mulheres”. Reforça que é preciso ação e recomenda não deixar passar a oportunidade. “O momento é agora”, disse Bachelet, enquanto emendou: “Não estamos dispostas a voltar para a cozinha”.


Neste ano, completou-se 100 anos da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Michelle Bachelet não teme sucumbir à burocracia da ONU. Mas ela sabe das dificuldades que terá a frente do novo órgão, que dispõe de 500 milhões de dólares de recursos – o que é considerado pouco – e precisa da ajuda dos países que movem as agências internacionais. No dia em que se lembram delas, se é que é preciso um dia para isso, é bom saber que alguém está disposta a perseguir momentos onde as diferenças de gênero não sejam tão distantes como atualmente.