domingo, 1 de maio de 2011

João Paulo II beato

O papa João Paulo II foi beatificado neste domingo na Cidade do Vaticano em uma cerimônia estranha aos olhos de quem não conhece as tradições desses ritos da Igreja Católica. A parte mais bizarra foi exibir o caixão com o corpo do pontífice morto há poucos anos.

Fora essas questões, a beatificação de João Paulo II é o resultado de um papado longo e marcado pela boa relação e empatia até com aqueles que não são seguidores do catolicismo. O papa peregrino, como ficou conhecido, foi uma figura simpática e querida por milhões de pessoas ao redor do mundo.

E ele sabia muito bem como manter esta imagem, a fim de reaproximar as pessoas da Igreja Católica. Em cada terra que pisava, beijava o chão. Além disso, sempre buscava ações que poderiam ser chapadas de “populistas” pelos críticos. Exemplo foi no Rio Grande do Sul, onde depois que a multidão gritou por muito tempo “ucho, ucho, ucho, o Papa é gaúcho”, ele repetiu a frase, para delírio geral da multidão.

A beatificação é o passo anterior para a canonização, quando a figura se torna santo. Para isso, é preciso que milagres sejam comprovados. Na conta do Papa já existe um feito assim “comprovado”: o caso de uma freira francesa que teria sido curada do mal de Parkinson dois meses após a morte de João Paulo II.

Vendo esse circo todo que é armado para eventos como esse, lembro uma questão que ouço em casa desde criança: “Desde quando o homem pode tornar alguém santo? Quem torna alguém santo ou não é Deus”. Sem tirar os méritos do ex-papa, vale pensar.