domingo, 19 de junho de 2011

O cavalo de Troia peruano


Na semana que passou os peruanos descobriram que o presidente em fim de mandato Alan Garcia estava preparando uma surpresa para eles. Menos de um mês antes de deixar o cargo, Garcia mandou construir uma estátua gigante semelhante ao Cristo Redentor para ficar de abraços abertos para o Pacífico. Só que o "agradinho" não agradou em nada.

O Cristo do presidente virou alvo de críticas e piadas. Os opositores alegam que Garcia tomou uma decisão autoritária ao mandar erguer o monumento sem consulta pública e, apesar de ter doado do próprio bolso parte dos recursos utilizados na construção (menos de 10%), a maior parte foi mesmo financiada com dinheiro público.

As piadas são motivadas pelo péssimo gosto estético de quem projetou a estátua (a empreiteira brasileira Odebrecht executou a obra). Diferente do Cristo Redentor, que tem os braços abertos em linha reta, o "Cristo do Pacífico" apareceu com os braços levemente levantados, como se estivesse pulando corda. Na verdade, trata-se de um gesto comum entre os fiéis, quando pedem bençãos aos céus. Além disso, diferente do monumento aqui do Rio de Janeiro, lá a estátua foi colocada na Baía de Lima, que tem uma paisagem não tão bonita.

Para muitos, mais do que "abençoar os peruanos", Alan García queria deixar uma marca do seu governo. Já que não conseguiu avançar em desenvolvimento, combate à fome, educação e outros temas, fez como os ditadores, que deixavam suas marcas através de grandes monumentos. Alguns deles são cultuados até hoje como "sensacionais", mas outros tiveram um destino menos nobre, como parece ser o do Cristo do Peru.