sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Piñera desce a ladeira

Há quase um ano, depois da história dos mineiros que ficaram presos em uma mina no Deserto do Atacama, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, viveu seu melhor momento. Recém empossado, montou aquele circo todo para o resgate dos trabalhadores e divulgou sua imagem de governante preocupado. Resultado: a popularidade dele chegou a 44% (isso não é nada, se comparada a ex-presidente Michelle Bachelet, que deixou o cargo com 78% de aprovação – quase um Lula!).

No entanto, uma tempestade chegou ao mar de rosas de Piñera. Uma nova pesquisa divulgada recentemente mostra que ele conseguiu a façanha de ter a pior avaliação de um governante chileno em 20 anos! Apenas 26% aprovam o governo do bilionário conservador.

Um dos motivos dessa queda livre foi a mobilização de estudantes do país, que chegaram a brigar com a tropa de choque da polícia. Outros protestos contra as políticas de Piñera para a educação, meio ambiente e, claro, mineração, esfriaram a primavera do presidente.

Sebastián Piñera, nas horas vagas, também exerce as funções de empresário de sucesso. É dono desde empresas aéreas até time de futebol e supermercados. Foi eleito pelo povo chileno com a promessa de gerir o governo como se fosse uma empresa. Só que quem olha muito para o lucro esquece das pessoas...

A eleição de Piñera em 2010 fechou um ciclo de 20 anos de mandatos da Concertación, uma coalizão de partidos de centro-esquerda. No entanto, nem esse grupo consegue a simpatia da população: a mesma pesquisa diz que só 17% dos chilenos aprovam a atuação da Concertación. O problema é que, fragmentada, a coalizão não consegue capitalizar a impopularidade do atual presidente.