sábado, 29 de outubro de 2011

A Argentina é uma nação

Os dicionários de português definem a palavra "nação" como um "comunidade humana, fixada em sua maioria num mesmo território com língua, origem, história e cultura comuns". Mais que isso, chama-se de nação um país que está unido em um único sentimento. No Brasil, por exemplo, momentos verdadeiramente nacionalistas foram sentidos em determinados períodos da nossa história, como no movimento pelas diretas. Hoje, esse sentimento de nação praticamente só existe em época de Copa do Mundo.

A Argentina vive um momento diferente. Nesta última semana três acontecimentos políticos demonstraram esse atual poder de união dos nossos hermanos: a reeleição da presidenta Cristina Kirchner, o julgamento de militares torturadores e as lembranças pelo primeiro ano da morte do ex-presidente Néstor Kirchner.

Participei desses três eventos e pude sentir o quão envolvidos os argentinos estão. Quando Cristina venceu, no domingo passado, o movimento espontâneo de milhares de pessoas marchando rumo a Plaza de Mayo para comemorar era comovente. Durante o julgamento dos milicos torturadores, centenas de pessoas estavam em frente à Corte e agitavam bandeiras e gritavam palavras de ordem a cada sentença anunciada. No dia que se lembrou o primeiro ano sem Néstor, bandeiras do país tremulavam nas janelas dos apartamentos, famílias inteiras caminhavam pela Av. de Mayo cantando a marcha peronista e, também na praça, outros milhares assistiam discursos inflamados sobre o legado deixado pelo ex-presidente.

Pode-se dizer que um país é uma nação quando a sua população, com ou sem incentivos dos líderes políticos, se mobiliza para promover grandes atos onde o maior objetivo é demonstrar o que pensam e o que sentem. Isso acontece por aqui. Não é preciso combinar antes, nem fazer chamadas no rádio e na televisão... Os argentinos se mobilizam por conta própria.

Há 10 anos a Argentina passou por um momento muito difícil. O pais estava quebrado em 2001 e todos os cidadãos sentiam os efeitos da crise. Chegou Néstor Kirchner e aplicou mudanças drásticas que surtiram efeito na vida do cidadão comum. Esses sentiram-se mais confiantes e, vendo como as coisas estavam melhorando, recuperaram o orgulho de ser argentinos. É esse orgulho, próprio das nações, o responsável pelo enorme poder de mobilização dos hermanos.

Como brasileiro, confesso a minha inveja. A Argentina e o Brasil são países muito semelhantes, mas as duas populações parecem muito distintas.