quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ELEIÇÕES ARG: Cristina Kirchner encerra campanha

Com um discurso no Teatro Coliseo, no centro de Buenos Aires, a presidenta encerrou nesta quarta-feira a campanha pela reeleição. Com uma plateia formada por governadores, prefeitos, deputados, senadores e, em especial, pelos dois filhos e pela mãe dela, Cristina subiu ao palco às 19h30.

Antes disso, porém, outras cenas me chamaram a atenção na Praça Liberdade: ao chegar, muito cedo, já havia muita gente. Ao contrário dos comícios brasileiros, os argentinos vendem bandeiras, bonés, bótons e outros artigos dos candidatos. Havia famílias inteiras, muitos jovens e também alguns idosos. Ao me deslocar até o local onde deveria retirar a credencial de imprensa me deparei com o primeiro contato com os jornalistas argentinos e o que posso dizer é que são tão carentes de boa educação quanto os cariocas. Empurram - mas empurram mesmo, forte -, gritam como loucos... Isso me deixou tão irritado que entrei no teatro, fiquei lá por menos de 20 minutos e decidir sair para ver o discurso de Cristina do lado de fora, no meio do povo. O povo é mais educado.

Antes do discurso, a organização passou todos os spots eleitorais da campanha. Também uma mensagem gravada por atletas argentinos que estão em Guadalajara representando o país nos Jogos Panamericanos que arrancou fortes aplausos do público.

Cristina começou a falar já muito emocionada. Com ela no palco estavam os protagonistas dos comerciais da campanha e que Cristina fez questão de dizer como conheceu um por um. São argentinos comuns, como a senhora que conquistou a casa própria ou a jovem cientista que estudava na Alemanha e queria voltar ao país.

Durante sua fala, a presidenta não citou nenhuma vez o nome do marido e ex-presidente Néstor Kirchner. No entanto, se referiu a "él" infinitas vezes, quando parecia muito emocionada (vale lembrar que na semana que vem a morte de Néstor completa 1 ano). Numa dessas referências, lembrou que foi "él" quem disse um sonoro não à ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) e questionou: "E se não fosse ele o presidente?".

CFK repassou alguns feitos dos últimos oito anos e deu especial destaque para a economia. "Pela primeira vez podemos pensar a médio e longo prazo", disse. Também criticou os sindicatos, com quem vem tendo pequenos atritos. "Peços aos homens e mulheres que são identificados com esse projeto que deixem de lado as questões menores. Peço que sejam inteligentes".

A presidenta também defendeu fortemente a soberania da América do Sul. "Vamos ser a região protagonista do século XXI", disse. Pouco depois, fez uma crítica indireta ao ex-presidente uruguaio Tabaré Vazquez que, recentemente, disse que temeu entrar em guerra com a Argentina: "Estamos sempre resolvendo nossos problemas sem recorrer a outras formas".

Neste momento eu estava cercado de senhoras de idade, homens engravatados, crianças fantasiadas de pinguins (Néstor era chamado de pinguim) e foi quando comecei a sentir um forte cheiro de maconha. Nada demais, somente para pontuar mais essa indício de liberdade...

Por fim, Cristina disse que não é imparcial e que sempre vai trabalhar por políticas de inclusão social e defender os mais necessitados. Foi quando arrancou mais aplausos do público. Emocionada e aos gritos, a presidenta encerrou o discurso ao som da música 'Dar es dar' do Fito Paez, algo que me surpreendeu.

Já vi vários discursos de Cristina na televisão ou na internet e preciso dizer que esse foi um dos mais fracos. Talvez por ter sido o primeiro que vi ao vivo e estava cheio de expectativas. O fato é que o discurso deixou a desejar para um encerramento de campanha.