domingo, 16 de outubro de 2011

ELEIÇÕES ARG: Casa Rosada

Há uma semana das eleições, na manhã deste domingo, estive no centro do poder argentino: a Casa Rosada. Todos os finais de semana o palácio do governo é aberto à visitação pública guiada. Do lado de fora a "casa salmão", eu diria, está repleta de turistas tirando as mesmas fotos. Ao entrar, a primeira galeria possui fotos de "grandes líderes latinos". Neste local é possível ver grandes quadros de Eva Perón, Simón Bolívar, Che Guevara, José Artigas e - acreditem - Getúlio Vargas.

Ao iniciar o passeio, o guia Santiago mostra aos turistas os vários salões dentro da Casa Rosada. O primeiro é o Salão Azul, onde o líder da nação costuma receber políticos internacionais. Neste local há quadros de pintores argentinos. Depois, uma sala dedicada à obra Martín Fierro, do poeta José Hernández. Este personagem é a síntese do gaúcho.

O próximo salão foi uma invenção da presidenta Cristina Kirchner para homenagear as mulheres que fizeram história. Grandes fotos de Eva Perón, Mercedes Sosa e outras mulheres menos conhecidas no resto do mundo. No entanto, foi aqui que senti uma ausência: Isabelita Perón não está nesta sala. Santiago, o guia, me explicou que as personagens da sala foram escolhidas pela própria presidenta e Isabelita não é, necessariamente, alguém muito querida na Argentina. Tanto que vive num auto-exílio na Espanha há décadas. É incrível como a primeira mulher a ocupar a presidência de um país na América do Sul não está nesta sala dedicada justamente às mulheres que fizeram história... Pois é, argentino quando pega raiva de alguém vai até a morte. E Isabelita segue viva.

Seguindo o passeio, o lugar mais aguardado, pelo menos por mim: o gabinete da presidenta CFK (foto ao lado). Foi deste lugar que Cristina fez, entre outros, o emocionado depoimento à nação logo após a morte do marido Néstor Kirchner. Me chamou a atenção a existência de uma lareira no local... A presidenta pode até passar apertos, mas frio não passará nunca.

O salão dos espelhos, local que antigamente era usado para empossar os presidentes eleitos, é o canto mais bonito da Casa Rosada. No alto, um lustre de mais de uma tonelada. Na janela ao lado, uma vista linda do centro de Buenos Aires. Pinturas gigantes nas paredes e no teto.

Por fim, a sacada da Casa Rosada, um lugar emblemático. Foi deste balcão que o presidente Juan Domingo Perón fez seu último discurso à população antes de morrer. Também foi dali que o Papa João Paulo II falou aos argentinos e que Diego Maradona comemorou o título mundial de 86 (se não me engano).

Ao contrário do que muitos pensam, a Casa Rosada não é mais a residência oficial do chefe de estado. Só Roque Sáenz Peña morou ali quando foi presidente entre os anos de 1910 e 1914. Depois, a residência dos presidentes foi transferida para Olivos.

Ah, quase esqueci: o clima das eleições. Foi de propósito, pois esse quase não existe. Não sei se por causa do dia das mães, comemorado neste domingo na Argentina, ou da vitória certa de Cristina, me parece que - tirando alguns cartazes espalhados pela rua - a Argentina nem dá mostras de que está às vésperas de uma eleição geral.