quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Kirchnerismo para Armar

Ontem fui à apresentação de um livro chamado "Kirchnerismo para Armar". Trata-se de um copilado de 26 depoimentos de jovens argentinos sobre como o movimento iniciado por Néstor Kirchner mudou a história do país. Participaram do evento, entre outros, o sociólogo Artemiro Lópes, o jornalista Jorge Dorio e o integrante do programa Duro de Domar, Matías Castañeda. Na apresentação, realizada no Centro Cultural Caras y Caretas no boêmio bairro de San Temo, ouvi coisas muito interessantes. Entre elas, a opinião unânime de que nem Néstor tinha noção do movimento que iria criar ao conseguir colocar a Argentina nos eixos depois da grande crise de 2001.

Ouvindo aquelas pessoas falando sobre as mudanças feitas pelo governo de Néstor e de Cristina é fácil entender porque as pesquisas apontam uma vitória fácil da atual presidenta no próximo domingo. Vale aqui fazer uma observação: a vantagem é tão grande que até virou piada entre os peronistas. Um dos escritores disse: "Este livro fala das mudanças feitas nos últimos 8 anos e que, não sei, podem continuar acontecendo nos próximos 4 anos... não sei como estão as pesquisas. Parece que não estamos muito bem...". Todos riram.

O fato é que Néstor Kirchner iniciou uma nova era na política argentina. Mais do que arrumar a casa, ele conseguiu mobilizar os jovens. Hoje, são esses os principais protagonistas da política nesse país. É impressionante a mobilização, o orgulho com o qual agitam as bandeiras azuladas e a união em momentos decisivos. Trata-se de algo de dar inveja.

Em 2001 a Argentina estava quebrada, fodida e mal paga, como dizemos. Um dos textos do livro é de uma jovem que, na época, trabalhava como telemarketing de festas. Ela ligava para as casas das pessoas convidando para eventos festivos. A jovem conta que muitas vezes teve que ouvir discursos do outro lado da linha de gente indignada: "Você sabe o que está acontecendo no nosso país e está me convidando para festa? Não tenho o que comemorar!" Ou algo neste sentido (ainda não li o livro).

A Argentina mudou para melhor graças à coragem do casal Kirchner. Néstor e Cristina compraram brigas com setores importantes, como o ruralista e a Igreja Católica. A aprovação do matrimônio igualitário, que permite o casamento de pessoas do mesmo sexo, só foi possível por essa coragem. O assunto ainda é um tabu em muitos países - inclusive no Brasil, onde não há um líder com tanta coragem para levar a proposta para frente.

Por tantos feitos representativos para o povo argentino, é possível - como disse um dos painelistas - sugerir um outro nome para o livro: Kirchenerismo para Amar.