segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Por que os argentinos odeiam Isabelita Perón?

Desde que cheguei em Buenos Aires busco a resposta para essa pergunta. Isabelita Perón foi a terceira esposa do presidente Juan Domingo Perón. Antes dela, o político casou com uma professora - que morreu de câncer uterino - e com Eva Perón - que também morreu de câncer de útero e é amada e idolatrada pelos argentinos.

María Estela Martínez conheceu Perón no Panamá e casou com ele em 1960. Foi secretária pessoal do político e o acompanhou no exílio na Espanha, depois de ser deposto e preso pelos militares. De volta à Argentina, em 73, Perón foi candidato a presidência e venceu com mais de 60% dos votos tendo Isabelita como vice. Quando concorreu, Juan Domingo Perón já estava doente. Acabou morrendo no ano seguinte e coube a Isabelita o papel de comandar o país. O governo de Isabelita durou dois anos, dando lugar, em 76, a uma junta militar.

Até agora ouvi várias opiniões sobre o motivo pelo qual os argentinos odeiam a pessoa que foi a primeira mulher a presidir uma país sul-americano. Dizem os livros de história que havia um ministro chamado José López Rega que exercia muita influência sobre a presidenta e conseguia fazer predominar os interesses da direita peronista. Dizem que foi este homem que fundou, com dinheiro desviado do governo, um grupo conhecido como triple A. Tratava-se de uma espécie de grupo paramilitar que caçava comunistas. Foi responsável por perseguições, torturas e assassinatos. O governo Isabelita Perón, apesar de curto, foi um desastre também para a economia. Não vou entrar em detalhes porque não tenho conhecimento mais aprofundado sobre esta parte econômica.

Sabendo isso, até é possível entender o rancor dos argentinos. É preciso se imaginar na época: Juan Domingo Perón, o maior herói argentino, estava de volta ao país depois de uma das ditaduras mais violentas do continente. Ele representava a esperança de mudanças para o país. Tanto que obteve esmagadora maioria de votos nas eleições. Então, eleito, morre e a Argentina é entregue nas mãos de uma mulher inexperiente e até então quase desconhecida. Ela, despreparada, se deixa influenciar por outras pessoas. A frustração deve ter sido gigante. Nem mesmo o fato de ser esposa de Perón consegue apagar o mal que fez à nação argentina.

O que eu, particularmente, questiono é que Isabelita só existiu para a política por causa de Perón. Foi ele quem a transformou em vice-presidente e, possivelmente, sabia que estava doente e que ela poderia assumir o país caso ele morresse, como aconteceu. Então, na minha opinião, é um pouco de exagero crucificá-la só por ter sido incompetente e esquecer que foi o grande herói da nação, Juan Domingo Perón, o responsável pela existência para a vida política de Isabelita.

O fato é que os argentinos veem Isabelita como uma oportunista que casou com Perón já velho e quase morto para chegar ao poder. Para eles, o caudilho foi enganado pelo amor por uma mulher perversa. Pode ser... quem duvida?