terça-feira, 8 de novembro de 2011

Brasileiro assassinato por milicos argentinos receberá homenagem em BsAs

O pianista Francisco Tenório Júnior estava em Buenos Aires acompanhado por Vinícius de Moraes e Toquinho fazendo uma temporada de shows. No dia 18 de março de 1976, apenas 6 dias antes da mais ferrenha ditadura ser instaurada na Argentina, o músico saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou. Foi confundido com um guerrilheiro de esquerda e preso pelos milicos. Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, um oficial da Marinha afirmou que, quando se deram conta do engano, já era tarde demais porque Francisco estava muito machucado e viu o rosto dos torturadores. Foi assassinato com 35 anos.

Essa história era completamente desconhecida para mim, como a maioria dos fatos que envolvem esse tipo de assunto no Brasil. Foi publicada pelo jornal citado acima talvez somente porque se refere à ditadura do país vizinho... Mas não vou entrar nesse mérito. Seguindo:

A novidade – o mesmo jornal informa – é que Francisco Tenório Júnior receberá uma homenagem dos legisladores da cidade de Buenos Aires. No próximo dia 16 de novembro, quarta-feira que vem, será inaugurada uma placa em frente ao hotel onde o músico estava hospedado.

A história também está sendo contata no cinema no documentário “El Embrujo de Shangai” que, segundo o jornal, está em fase de edição. A reportagem informa ainda que “a filha mais velha de Tenório, Elisa Cerqueira, conta que foram encontrados arquivos inéditos do músico, que serão editados junto com o filme.”

A família do brasileiro já foi indenizada pelo governo portenho, mas esta homenagem deve ser recebida como um pedido de desculpas. A Argentina tem vergonha do seu passado de repressão e está tentando de todas as formas reparar esses erros. Insisto que espero, do fundo do coração, que tudo o que está acontecendo no país vizinho no que diz respeito à ditadura seja tomado como exemplo pelas autoridades brasileiras. Um país que não passa o seu passado a limpo não pode almejar um futuro melhor.

A reportagem do jornal Folha de São Paulo que revelou essa história é da correspondente em Buenos Aires Sylvia Colombo.