segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O assassinato de Alfonso Cano e a busca pela paz

Na última sexta-feira à noite o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Alfonso Cano, foi assassinado pelo Exército colombiano em uma operação que envolveu mais de mil soldados contra 14 membros das FARC. Cano era o líder intelectual da guerrilha. Fiquei sabendo da notícia pelo Twitter e fui logo assistir à TV colombiana para saber das repercussões. O que ouvi e vi foram discursos de luta pela paz e comemorações por parte dos aliados do presidente Juan Manuel Santos.

Acredito que uma morte nunca deve ser comemorada e não sei que paz é essa que o Governo está buscando através da guerra. Fiz uma rápida pesquisa na internet e encontrei o último vídeo divulgado por Alfonso Cano. Nele, o guerrilheiro faz um apelo ao presidente para iniciar um diálogo.

Alfonso Cano é acusado de muitos crimes, entre eles homicídios. Por isso é chamado de assassino pelos militares colombianos. No entanto, veja a contradição, segundo os discursos dos próprios comandantes das Forças Armadas da Colômbia, cano foi morto por heróis. Só faltou dizerem: “ele assassina, nós eliminamos o mal”.

Ainda na madrugada de sexta para sábado o presidente Juan Manuel Santos fez um pronunciamento sobre a morte do guerrilheiro e ameaçou os que continuam nas FARC: “Desmobilizem-se ou acabarão em uma cadeia ou em uma tumba!” A imprensa – brasileira e estrangeira – interpretou essa fala como um “convite” do presidente para que as FARC abandonem a luta armada. Para mim isso foi uma ameaça. E ameaça de morte!

Para encerrar este assunto – que tanto relutei em escrever por temer ser taxado de defensor de assassinos – acredito que quem mata um ser humano deve ser condenado por isso. Mas isso não significa que tenha que ser assassinato também. Isso seria voltar às nossas raízes mais primitivas. Temos justiça e ela pode até tardar para alguns, mas em casos de grande repercussão costuma ser rápida. Alfonso Cano, assim como Osama e Kadafi, não deveria ter sido assassinado. Os três deveriam ser julgados pelas leis dos seus respectivos países. Se nos seus países existisse pena de morte e, como no caso de Saddan, eles fossem condenados, azar o deles...