quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Piñera: enterrado vivo

O empresário e economista Sebastián Piñera assumiu a presidência do Chile em março do ano passado com a responsabilidade de suceder uma presidenta que deixava o poder sem a possibilidade de tentar a reeleição apesar de uma popularidade tão alta quanto a de Lula no Brasil. Michelle Bachelet, depois de apenas um mandato, deu por encerrado o seu ciclo de contribuições para o país. Ela é considera uma socialista moderna, seja lá o que isso queira dizer...

O Chile mudou radicalmente de comando. De uma socialista, mesmo que "moderna", para um economista, capitalista e de direita. O peso nas costas de Sebastián Piñera era muito grande e qualquer pessoa, mesmo não sendo um analista político, poderia supor que o governo dele não conseguiria bases firmes para um eventual apoio à proposta de criação de reeleição. Hoje, no Chile, o presidente é eleito para 4 anos sem possibilidade de concorrer ao final do mandato.

Logo depois de assumir, Piñera foi "presenteado" com o caso dos 33 mineiros que ficaram soterrados em uma mina no deserto do Atacama. No começo, uma enxurrada de críticas pela falta de fiscalização do Governo nas minas e pelas péssimas condições de trabalho dos mineiros. Incrivelmente, o presidente conseguiu reverter a situação e armou um circo para o resgate dos trabalhadores. Assim, acreditava que estava conquistando maior popularidade e aumentando suas chances de concorrer à reeleição.

Mas no meio do caminho tinha um estudante... Ou melhor, milhares de estudantes! Eles resolveram iniciar uma série de mobilizações para exigir do governo uma educação superior pública. Aos poucos, outros movimentos sociais e partidos opositores foram se somando às mobilizações e a coisa tomou proporções gigantescas. O governo de Piñera combate os protestos com força bruta e mesmo assim eles não deixam de se manifestar.

Além de servir de exemplo para outros países que precisam de mobilizações semelhantes, esse movimento faz a popularidade do presidente despencar e diminui a possibilidade de uma eventual reeleição no futuro.