segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sobre a solidariedade chilena

Se tem uma coisa que posso falar desses primeiros dois dias no Chile é do desejo fumegante desse povo para ajudar os outros. Os chilenos são solidários demais, estão sempre dispostos a indicar um caminho, dar uma informação e encerrar o diálogo com um sorriso no rosto.

Só deste domingo, posso citar três exemplos disso: o primeiro é que quase todos os carros que vejo circulando pela rua têm uma inscrição no painel traseiro em apoio ao Teleton. Sim, o mesmo Teleton que o SBT leva ao ar tem aqui. Aliás, nasceu aqui. Mas o fato é que percebe-se, caminhado pela rua, que trata-se de uma campanha que - diferentemente do Brasil - envolve as pessoas!

O segundo exemplo da solidariedade chilena aconteceu em Viña del Mar, depois que já havíamos nos perdido várias vezes, encontramos a praia e deixamos o carro estacionado em uma praça. Quando voltamos, a bateria estava morta. Um desespero inicial e, quando estávamos prontos para ligar para o seguro, surge um casal de uns 50 anos que responde ao nosso pedido e diz que pode fazer uma "ponte", ou chupeta, no carro. O processo todo levou alguns minutos e enquanto a bateria carregava, ficamos conversando com o casal. Eles contaram muitas coisas, entre elas que têm três filhos, que o marido já morou no Rio de Janeiro e que estão comemorando 37 anos de casados.

O terceiro exemplo foi em outra cidade. Saímos de Viña del Mar e fomos para Valparaíso procurar a casa do poeta Pablo Neruda que queríamos conhecer. Achar esse local foi uma missão difícil. Só conseguimos depois que, passando pelo menos local pela terceira vez, um outro casal de meia idade se dispôs a ajudar. O detalhe é que eles explicavam onde era e nós não entendíamos. Até que mandaram seguí-los e nos deixaram exatamente em frente à casa de Pablo Neruda. Muito simpáticos, dispostos e queridos e nós sem palavras para agradecer pela ajuda... Sensacional.

São três pequenos exemplos de quem ficou apenas dois dias por aqui, mas já fez coisas suficientes para sentir esse calor e recepitividade do povo do Chile. E, como disse o senhor que fez a chupeta na nossa bateria, "bienvenidos al Chile!".