quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Líder estudantil Camila Vallejo perde reeleição na Fech

A mistura de discurso forte, coragem e beleza fez de Camila Vallejo, a então presidente da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile (Fech), uma estrela internacional. Desde que milhares de estudantes foram para as ruas exigindo mais investimentos em educação do presidente Sebastián Piñera, Camila passou a ser conhecida internacionalmente. Esteve no Brasil, inclusive, participando de um ato de estudantes em Brasília. Mas a fama não foi suficiente para ela garantir mais um mandato à frente da Fech.

Nesta quarta-feira se conheceu o resultado final das eleições na Federação e Camila foi derrotada pelo estudante Gabriel Boric. A diferença foi de apenas 89 votos.

Mas o que significa essa mudança? Significa que os estudantes, pelo menos a leve maioria, quer radicalizar os protestos. Gabriel Boric participa de movimentos sociais e já disse que rejeita a via parlamentar como espaço de resolução dos problemas dos estudantes.

“A atual institucionalidade no Chile não tem largura para conter as demandas do movimento estudantil e nossa proposta será de confluir com diversos atores sociais. Não estamos dispostos a seguir delegando nossa vocação transformadora aos políticos de ontem. Chegamos para ficar”, disse Boric.

O sistema da Fech prevê que o candidato que fique em segundo lugar na eleição assuma a vice-presidência. Camila Vallejo, então, foi rebaixada.

Por que os estudantes protestam? Para estudar na Universidade do Chile, que é pública, todos os estudantes precisam pagar um valor mensal de cerca de 500 dólares. Esse valor é quase o mesmo cobrado pelas universidade particulares. Aliás, universidades particulares não faltam no país. Em Santiago, onde estive recentemente, há uma em cada esquina. Está bom de motivos?

Gabriel Boric, o novo presidente da Fech, disse que admira Camila e elogiou sua entrega a todo custo. Ele também afirmou que quer liderar um movimento que não mude apenas a educação, mas que mude o Chile.