terça-feira, 24 de abril de 2012

Transparência: como Chávez e Lula lidam com o câncer


Hugo Chávez e Lula têm muitas coisas em comum. Ambos ocuparam a presidência de um país importante, vêm do mesmo berço político, defendem pontos de vista parecidos, são chamados de “populistas” pelos opositores e brigam contra um câncer. Porém, as semelhanças param por aí. Na doença é que as diferenças entre Chávez e Lula se acentuam.

Num sábado de novembro do ano passado, quando consultou um médico e descobriu que estava com câncer, Lula imediatamente comunicou o país. A nota da equipe médica detalhava o câncer na laringe do ex-presidente, provavelmente fruto dos tempos de fumante.

Meses antes, em junho, Chávez usou a televisão para comunicar que foi diagnosticado com câncer durante exames realizados em Cuba. Antes disso, ele havia dito que a cirurgia a qual foi submetido em Havana teria sido para retirar um abscesso pélvico. O tempo passou e, entre uma viagem e outra do líder venezuelano a Cuba, surgiam novos rumores sobre a saúde dele.

Desde junho de 2011, nenhum dos intermináveis discursos de Hugo Chávez foi capaz de esclarecer que câncer é esse e qual a situação do tratamento. Mesmo quando o tumor reapareceu, já este ano, o presidente venezuelano só disse isso. As mensagens de Chávez só continham informações pouco precisas, como “estou no caminho da recuperação”, “enfrento uma luta pela vida” ou “este é um processo médico lento e delicado”.

Ficaram claras as diferenças entre as maneiras como os dois presidentes lidaram com as informações que só eles poderiam passar. Enquanto Lula abriu o jogo e recebeu apoio de quase todo o Brasil, Chávez esconde até hoje os detalhes sobre o seu caso para não parecer debilitado para enfrentar as eleições presidenciais de outubro.

Os críticos poderão dizer que Lula usou a doença como forma de promoção, tentando comover o povo e, com isso, conquistar dividendos políticos. Sendo assim, porque Chávez não fez o mesmo?

É difícil saber quem está certo e quem está errado, pois se trata de uma questão que, antes de ser política, é pessoal.