quarta-feira, 27 de junho de 2012

CHAVISMO SEM CHÁVEZ: Fiel seguidor de Chávez, ex-militar Diosdado Cabello ignora acusações e mantém força no governo

Acusado de corrupção, o atual presidente da Assembleia esteve com Chávez desde a primeira tentativa de chegar ao poder.
Cabello tem no currículo a organização do resgate de Chávez em 92.
Diosdado Cabello é o atual presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, o que significa que, na falta do presidente e do vice Elías Jaua, ele assume o poder. Isso pode não significar muito em um país no qual a ordem natural das coisas nem sempre impera. Porém, além de ser o terceiro na “linha” de sucessão, Cabello é aliado e amigo de Chávez, o que faz toda a diferença.

Deputado pelo estado de Monagas e vice-presidente do Partido Socialista Unido pela Venezuela, Diosdado Cabello é um dos homens mais fortes da revolução bolivariana. É graduado em engenharia, mas sua formação é principalmente militar.

Desde janeiro de 2012 é legislador, mas antes disso ocupou diversos cargos no governo de Chávez. Foi secretário da presidência em 2001, vice-presidente da Venezuela na primeira metade de 2002, ministro do interior e justiça de 2002 a 2003 e ministro de infraestrutura em 2004. De 2004 a 2008 foi governador do estado de Miranda, um dos mais importantes da Venezuela e que até poucas semanas era governado por Henrique Capriles, o candidato único da oposição nas eleições de 7 de outubro. Em 2008, assumiu o cargo de ministro da informação.

Diosdado Cabello sempre apoiou Hugo Chávez. Quando o presidente iniciou a campanha em 98, lá estava Cabello. Antes disso, no fatídico 4 de fevereiro de 92, participou da tentativa de golpe de estado contra o mandatário Carlos Andrés Pérez, liderado por Chávez. Foi ele, então militar, que organizou a operação para tirar Chávez da prisão. Esta ação permitiu que sua relação com o presidente ficasse cada vez mais estreita, o que anos mais tarde o outorgaria um poder intermitente no chavismo.

Esse personagem é um dos fundadores do PSUV e, claro, militante do partido. O nome de Diosdado Cabello é o único que aparece ao lado do de Chávez no organograma disponível no site do partido.

É um feroz defensor das políticas do presidente, como a expropriação, o cerco aos meios de comunicação e a politização sindical. Especialistas asseguram que Hugo Chávez terá que ceder a Cabello parte das funções na campanha eleitoral desse ano. Seria ele quem buscaria os votos do povo, seduzindo as massas vermelhas.

Na última década, Cabello se posicionou como um líder indispensável do chavismo. Nem as várias denúncias de corrupção estremeceram sua relação com Hugo Chávez. Membros da oposição e até movimentos de esquerda o acusam de manter contas em paraísos fiscais e de ter o controle sobre grandes empresas. Ele nega todas as acusações.

Diosdado Cabello é o comprometido. Reafirmou várias vezes que seu objetivo como político é por em prática as propostas da revolução bolivariana do comandante. O fiel e contestado seguidor chavista conseguiu, apesar dos percalços, converter-se em figura central da situação e certamente será lembrado por Chávez para uma eventual sucessão.