quinta-feira, 14 de junho de 2012

CHAVISMO SEM CHÁVEZ: Presidente da Venezuela pode "imitar" Fidel e passar poder ao irmão

Atual governador de Barinas, Adán Chávez é um dos possíveis sucessores caso o líder venezuelano tenha que deixar o poder por problemas de saúde.
 Adán Chávez, um dos possíveis sucessores de Hugo Chávez.
O mistério sobre o real estado de saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, abre espaço para uma série de especulações. Candidato a um terceiro mandato, o líder enfrenta a segunda etapa do tratamento contra um câncer em Havana e não divulga detalhes sobre sua saúde, o que gera especulações sobre a gravidade da doença. A possibilidade de Chávez renunciar à presidência para tratar da saúde aparece junto com uma lista de possíveis sucessores, apesar de não haver até agora nenhuma indicação por parte do governante de que vá deixar o cargo.

Entre os cinco nomes que aparecem com mais força como prováveis substitutos de Chávez está o do irmão do presidente. Adán Chávez tem 58 anos, é formado em física e foi professor universitário. Desde jovem, participou de movimentos sociais ao lado do irmão mais novo. Aos 16 anos, Adán se uniu ao Partido da Esquerda Revolucionária. No entanto, a carreira política do irmão do presidente só deslanchou quando Hugo Chávez chegou ao poder. Adán ajudou a fundar o Partido Socialista Unido pela Venezuela (PSUV), legenda que elegeu Chávez, e de 1999 até 2007 foi representante diplomático em Havana. No governo da Venezuela, ainda foi titular do Ministério da Educação por pouco mais de um ano. Em 2008 foi eleito governador do estado de Barinas, no oeste da Venezuela, berço da família Chávez.

Adán Chávez sempre foi muito discreto, evitava os flashes e era um homem de poucas palavras até que, com o irmão doente, chegou a aparecer na televisão anunciando os avanços na recuperação de Chávez.

Especialistas acreditam que se Hugo Chávez precisar abandonar o poder, Adán é um forte candidato para tomar as rédeas do país e aconteceria algo muito parecido com o que ocorreu em Cuba em 2006, quando Fidel Castro passou o poder ao irmão, Raúl. Teoricamente, há um impedimento legal para que isso ocorra na Venezuela: a constituição do país não permite que a presidência seja ocupada por alguém que tenha parentesco com o mandatário que está deixando o poder. Porém, quando Hugo Chávez assumiu, em 1999, a constituição também não permitia a reeleição e agora, 10 anos depois, ele está a caminho de seu terceiro mandato.

Para os analistas políticos venezuelanos, Adán Chávez carece de carisma e nem ele, nem nenhum dos possíveis sucessores de Chávez, tem a capacidade do atual presidente para se comunicar. Até por isso, especialistas põem em xeque a capacidade do irmão do mandatário para defender a revolução bolivariana. Talvez como uma resposta velada a críticas como essas, Adán tem feito declarações provocativas e polêmicas nos últimos anos. Recentemente ele defendeu a luta armada para sustentar as conquistas da revolução bolivariana na Venezuela. “Hoje não podemos esquecer, como autênticos revolucionários, outros métodos de luta”, disse ele. E explicou: “Seria imperdoável se limitar tão somente ao eleitoral e não ver os outros métodos, incluindo a luta armada para obter o poder.”

Com lealdade e sorte por nascer na família certa, Adán Chávéz já vê consolidado o caminho em direção ao Palácio de Miraflores numa eventual ausência do irmão.