quinta-feira, 8 de novembro de 2012

#8N: oposição marca data e hora para protestar contra Cristina


A oposição argentina promove um grande "panelaço virtual" contra o governo da presidenta Cristina Kirchner. O movimento, chamado #8N, convoca a população a "dar um basta" geral: da insegurança à corrupção. Às 20h desta quinta-feira deve acontecer uma manifestação na Praça de Maio e os discursos antikirchneristas vão ocupar ainda mais as redes sociais. Também estão marcados protestos nas embaixadas argentinas pelo mundo, incluindo a do Rio de Janeiro, na Praia de Botafogo.

Por trás da benevolência, o objetivo é aquecer o cenário para as eleições legislativas do ano que vem. A oposição aproveita o momento ruim do governo K para tentar impulsionar os seus candidatos ao legislativo e, com isso, barrar os planos de setores oficialistas de reformar a Constituição para permitir que Cristina concorra em 2015.

O problema é que, a julgar pelos movimentos prévios, a oposição argentina comete o mesmo erro que a direita brasileira cometeu recentemente: tenta obrigar a opinião pública a protestar contra alguma coisa. No final das contas, sabemos como esses movimentos nada espontâneos terminam. Lembram da manifestação "dos 20" em Brasília?

Curiosamente, na véspera do #8N Buenos Aires sofreu um apagão. Além da luz, faltou água, metrô, coleta de lixo... Enquanto o bonaerense sofria, o prefeito da capital e um dos principais opositores de Cristina Kirchner, Mauricio Macri, curtia um show da banda Kiss.

Cristina não falou um "ai" sobre o movimento, mas certamente está lamentando por não poder responder certas provocações. A deputada Laura Alonso, por exemplo, usou o Twitter para sugerir que a presidenta (que tem feito um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão por semana, mais ou menos) usasse a rede nacional para promover o #8N.  "Por qué no hace un par de cadenitas", escreveu a deputada macrista.

Para os kirchneristas, a Argentina não vive um bom momento político. Cristina registra baixa popularidade e a economia dá sinais negativos. Os preços começam a subir e a presidenta fica cada vez mais agressiva. "Este governo está comentendo muitos erros", comentou um militante peronista da La Campora. A oposição sabe disso e aproveita o momento.

"Amanhã eles vão juntar gente e vão dizer que havia 20 vezes mais", disse um sindicalista. Já para Macri, "o #8N nos representa como argentinos e como homens livres que queremos viver melhor, com respeito, com tolerância e usando a energia para construir e não para agredir".

Os líderes do #8N acertaram o momento, mas erraram o discurso. Não se pode protestar "contra tudo". Esse foi o mesmo erro da oposição brasileira. As grandes manifestações nasceram de uma única causa, e essa, ao que tudo indica, vai morrer com todas.