quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Chile: Piñera pede socorro a Bachelet para aprovar orçamento

Não é só no Brasil que a aprovação do orçamento geral para 2013 está emperrada. No Chile, a situação é parecida. Tanto que, nesta quinta-feira, o governo fez um apelo aos deputados e senadores para que marquem sessões no próximo final de semana para discutir o tema.

Sebastián Piñera enfrenta dificuldades nas negociações com a oposição para aprovar o orçamento do ano que vem. O projeto já foi rejeitado quatro vezes pelos deputados. 

“Vamos insistir no chamado para que a Concertación (grupo de partidos da oposição, que tem maioria no legislativo) aprove esses recursos que não são para o nosso governo, são para os mais de 16 milhões de chilenos que precisam melhorar sua qualidade de vida”, disse nesta quinta a ministra da Secretaria-Geral do Governo, Cecilia Pérez.

Ela também revelou que o presidente Piñera pediu aos ministros da Educação, Saúde, Trabalho e Habitação que avaliem medidas de contingência para serem colocadas em prática caso o orçamento não seja aprovado. “O Chile não pode não ter uma orçamento e os chilenos não podem seguir esperando”, disse a porta-voz do governo.

Socorro, Bachelet!
A ministra do Trabalho do Chile, Evelyn Matthei, pediu o apoio da ex-presidenta Michelle Bachelet para sensibilizar a oposição. Como líder do bloco de partidos opositores e candidata a presidência em novembro do próximo ano, Bachelet teria condições de fazer o projeto andar. Ela não respondeu.

Uma das principais reclamações da oposição é sobre o montante de recursos destinados a publicidade, considerado alto. O governo quer garantir a boa imagem no ano eleitoral e, assim, impulsionar a candidatura da situação. Pela lei chilena, o atual presidente não pode concorrer à reeleição e não há um nome forte para substituir Piñera.

Com Bachelet navegando em índices de popularidade altíssimos (ela deixou o governo com mais de 80% de aprovação), o governo teme que a ex-presidenta nocauteie a situação nas urnas. Para os analistas políticos, não há resgate de mineiros nem comerciais de televisão que possam reverter o futuro negativo para a direita. A eleição de Bachelet é dada como certa praticamente desde que ela deixou o palácio La Moneda.