segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Clarín processa jornalistas por “incitação à violência”

Enquanto busca uma via legal para não ter que fechar boa parte de suas empresas em cumprimento à “Ley de Medios”, o Grupo Clarín também resolveu reagir aos ataques de opositores de seu monopólio. O conglomerado está processando jornalistas, políticos e diretores de outros veículos sob a alegação de “incitação à violência”.

A ação penal representada pelo grupo é contra o diretor e fundador do jornal Tiempo Argentino, Roberto Caballero; a jornalista da TV Pública e do jornal Página 12, Sandra Russo (também autora de uma das biografias de Cristina Kirchner, chamada “La Presidenta”); o relator do Fútbol para Todos (programa federal que liberou as transmissões dos jogos de futebol para todos os canais), Javier Vicente; o ministro da Justiça, Julio Alak; o secretário da Presidência, Carlos Zannini; e o titular da AFSCA (organismo criado pela lei dos meios para fiscalizar seu cumprimento), Martín Sabbatella.

Nas 35 páginas do processo, o Clarín afirma que os acusados incitam a violência coletiva contra a empresa e contra seus diretores. Os advogados do grupo alegam que os processados devem ser enquadrados no artigo 149 do Código Penal, que fala sobre a coação agravada: “Será punido com prisão ou reclusão de dois a quatro anos aquele que fizer uso de ameaças com o objetivo de obrigar outra pessoa a fazer, não fazer ou tolerar algo contra sua vontade.”

O processo nasceu, principalmente, após os comentários dos jornalistas e dos membros do governo sobre o recente panelaço contra o governo de Cristina Kirchner. Enquanto as empresas do Grupo Clarín cobriram o protesto em tempo real e dando destaque em sua programação, os governistas usaram a internet e seus veículos para criticar o protesto.