quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

2012, um ano que Cristina Kirchner quer esquecer


Com a saúde fraca, imbróglios judiciais contra o poderoso grupo Clarín, aprovação pessoal caindo e enfrentando protestos de setores radicais da esquerda e da tradicional oposição de direita, Cristina Kirchner encerra um ano que, sem dúvida, quer esquecer. O inferno astral da presidenta parece não ter fim e, quando os problemas já eram muitos, surgiram os inexplicáveis saques que mataram quatro pessoas.

Sobre os saques, o que me chamou atenção foram as justificativas das pessoas entrevistadas pela imprensa local: “estamos cagados de fome”, diziam, enquanto saíam das lojas saqueadas com televisões de plasma embaixo do braço. Os prefeitos das quatro cidades onde esses distúrbios ocorreram na semana passada atribuíram os ataques a grupos organizados e com motivos políticos.

Nos últimos dias, Cristina também resolveu mexer com um setor tradicionalmente complicado: o ruralista. Ela expropriou a sede da Associação Rural, no bairro de Palermo, alegando que o terreno foi vendido pelo governo ao grupo de fazendeiros a preço de banana. Provavelmente, preço parecido com o que ela pagou pelas terras que tem em El Calafate. Em resposta, os ruralistas – que já pararam o país há alguns anos contra uma tentativa do governo de aumentar impostos – promoveram uma nova paralisação, dessa vez, de 24 horas. Esse caso está só começando.

A Lei da Mídia, aprovada há 3 anos, ainda não foi aplicada. O grupo Clarín, o principal alvo dessa legislação, conseguiu uma medida cautelar para que não se aplique os artigos que obrigariam o conglomerado a se desfazer de várias emissoras de rádio e televisão. O governo reverteu a decisão em primeira instância, o Clarín conseguiu a medida novamente e, agora, a Corte Suprema é quem vai julgar.

O governo ainda enfrenta protestos de todos os lados contra a situação econômica do país. Os preços sobem rapidamente e a população está insatisfeita. Ninguém acredita nos números da inflação fornecidos pelo governo. Dois panelaços reuniram a tradicional oposição. Outro grande protesto lotou a praça de Maio convocado por duas centrais sindicais que romperam com o governo após discordâncias sobre aumentos salariais.

Em novembro, Cristina deixou de participar de duas cúpulas internacionais por recomendação médica. Recentemente, teve que reduzir uma viagem que fará pela Ásia em janeiro pelo mesmo motivo. Em 2012, a presidenta ficou de repouso várias vezes após quedas repentinas de pressão. No início do ano, foi operada de um câncer na garganta que depois não era mais câncer. A saúde de Cristina está dando sinais do nível de estresse do cargo.

Por causa de tudo isso, a popularidade da presidenta também está caindo. Reeleita no ano passado com 64% dos votos, Cristina é aprovada, atualmente, por menos de 40% dos argentinos em várias pesquisas diferentes. Esse menu de problemas indica que o ano que vem será muito complicado para os kirchneristas, ainda mais com as eleições legislativas previstas para outubro.