terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Paraguai: companheiros de partido chamam Franco de golpista em primárias


No último domingo os partidos paraguaios realizaram eleições internas para definir as listas de candidatos ao legislativo e ao executivo. A curiosidade da vez ficou por conta de um protesto de filiados ao Partido Liberal, do atual presidente Federico Franco. Uma corrente insatisfeita com a repentina mudança de lada da sigla, que permitiu o golpe que derrubou Fernando Lugo no meio do ano, convidaram os filiados a protestar contra a jogada política. Dos mais de 400 mil votos registrados, pelo menos 60 mil foram nulos ou brancos. Muitas cédulas traziam a inscrição “golpista”, em referência ao hoje líder máximo do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), Federico Franco.

Em julho, o Senado do Paraguai derrubou Fernando Lugo com o apoio do partido de Franco. Até dois dias antes da cotação, o PLRA era da base aliada – tanto que Franco era o vice-presidente. Numa joga política sem precedentes, passou para a oposição e, com os seus votos, ajudou a formar maioria para aprovar o impeachment de Lugo. Para lembrar: o argumento base para a cassação do mandato do presidente eleito era, em outras palavras, incompetência.

Nas urnas, os filiados insatisfeitos mostraram sua revolta. “Golpista” e “não ao golpe”, escreveram nas cédulas nas quais deveria optar pelos nomes do partido para as eleições de 21 de abril próximo. Isso mostra que uma boa parte do PLRA não concordava com a manobra executada com base em sabe-se lá quais interesses.

O fato é que Federico Franco foi usado e talvez nem ele saiba. Como estava na chapa de Lugo, não pode concorrer à presidência. Cumpre um mandato tampão até abril para tentar dar lugar ao senador Efraín Alegre, escolhido como candidato à presidência, tendo Rafael Filizzola, do Partido Democrático Progressista (PDP), como vice.

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