quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Equador: oposição cresce às vésperas de eleições presidenciais


Em pesquisa recente, Lasso tem 18% contra 49% do atual presidente
Faltando poucos dias para a eleição presidencial no Equador (17/02), uma pesquisa mostra que o atual presidente, Rafael Correa, está em queda livre, enquanto seu principal opositor, Guillermo Lasso, já aparece com 18% das intenções de voto. Correa lidera com folga com 49%, cifra suficiente para reelegê-lo em primeiro turno, mas após a divulgação desse levantamento o presidente subiu o tom contra os opositores.

Guillermo Lasso, um empresário com 42 anos de experiência no setor bancário, aposta em velhas ideias que predominavam na América Latina nos anos 90 para conquistar o eleitor. Em entrevista recente publicada pelo portal Terra, ele afirma que quer “mais Equador no mundo e mais mundo no Equador”. Defende parcerias econômicas com os Estados Unidos, com a Europa e com todos os que queiram fazer negócios com o pequeno país latino. No entanto, não respondeu claramente se defende o ingresso do Equador no Mercosul.

Ao entrevistar Lasso, percebi claramente que suas ideias, principalmente as econômicas, se aproximam das do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso. Conciliador, ele tenta ser o fiel da balança contra um presidente cheio de personalidade e que não tem papas na língua.

Nas propostas internas, sua principal bandeira é a segurança pública. Ele promete contratar mais 21 mil policiais e melhorar a segurança em todo o país. Também critica as conturbadas relações de Rafael Correa com a imprensa e diz que, em seu governo, os veículos de comunicação independentes terão liberdade total para “cumprir o seu papel”.

No entanto, o que mais me chamou a atenção na fala do opositor foi quando o questionei sobre os episódios recentes no Paraguai e na Venezuela. Lasso não respondeu se classificaria o impeachment relâmpago do ex-presidente Fernando Lugo no ano passado como “golpe”. Limitou-se a dizer que “devemos lembrar que a democracia começa com o voto, mas não termina com o voto”. Estou até agora tentando digerir essa frase. 

Quando o assunto foi Venezuela, o opositor pareceu disposto a falar. Tanto que foi a pergunta para a qual deu a resposta mais longa de toda a entrevista. Na opinião dele, o país de Hugo Chávez vê um enfraquecimento das instituições democráticas provocado pela falta de alternância no poder.