domingo, 10 de março de 2013

A interessante Venezuela pós-Chávez

"Agora é com vocês!"

Quando Hugo Chávez morreu - seja lá quando isso tenha acontecido - nasceu a dúvida sobre como será a Venezuela sem seu principal líder. "El comandante" chegou num patamar que é capaz de dividir a história política entra as eras pós e pré-Chávez. Não é qualquer um que consegue essa façanha. Só por esse motivo, estando certo ou errado em suas convicções, ele já merece, no mínimo, respeito.

Superada essa fase, a Venezuela tem poucos dias para definir o seu futuro. A nova eleição vai acontecer no próximo dia 14 e opõe Nicolás Maduro, o ex-empregado do metrô de Caracas, e Henrique Capriles, o filho de empresário de família tradicional. As histórias são bem diferente e os fins, também.

Maduro é um fiel seguidor de Chávez. Tudo o que sabe em política aprendeu com o ex-presidente, e foi por causa dele que entrou na área. Antes, era representante sindical dos empregados do metrô da capital. Ele tem sua própria história a seu favor. No entanto, parece que Chávez não era um bom professor, principalmente de oratória. Maduro ainda é artificial nos discursos e confunde gritar com argumentar.

Capriles, por outro lado, além de mais jovem, teve a sorte (e não a culpa) de nascer em uma família tradicional e crescer e ser educado da melhor forma que o dinheiro pode pagar. Despertou muito cedo para a política e, desde o ano passado, tem a função de representar a face da nova oposição na Venezuela. Ponderado, parece ser um bom político.

Neste final de semana, após Capriles anunciar que disputaria o cargo deixado por Chávez contra Maduro, já foi possível observar como será o clima da curta campanha eleitoral: de um lado, o opositor carregado de argumentos, afinal, o governo deu uma boa quantidade de munição com a falta de transparência durante o tratamento de Chávez; de outro, Maduro cagado de medo de enfrentar o voto popular direto pela primeira vez, já que Chávez ganhou de Capriles por uma diferença de apenas 6%.

Em resumo, está interessante. A Venezuela pós-Chávez vive o auge da democracia.