sexta-feira, 17 de maio de 2013

Videla e o fenômeno da não santificação pós-morte

Morreu nesta sexta-feira, na cadeia, o ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla, 87 anos. Ele comandou a Argentina de 1976 a 1981 e cumpria prisão perpétua por sequestros dos bebês das avós da Praça de Maio. Videla nunca pediu desculpas e nunca mostrou arrependimento por ter comandado a ditadura mais sanguinária da América Latina.

Está curioso observar a repercussão da morte do ditador. Ao contrário do que acontece geralmente – com Thatcher, por exemplo – Videla continua sendo criticado por suas atrocidades mesmo após ter desaparecido. Veja algumas frases:

“Fico tranquila que um ser depreciável tenha deixado este mundo”
Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio

“Morreu sem a mesma violência que exerceu. Levou muitos segredos para o túmulo”
Nora Cortiñas, outra avó da Praça de Maio

“Creio que sua morte encerra sua presença física, mas não o que fez contra o povo”
Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do prêmio Nobel da Paz por sua defesa dos direitos humanos durante a ditadura

“Videla se vai desta terra como uma das pessoas que foram responsáveis pelos principais horrores que o povo argentino viveu”
Martín Fresneda, Direitos Humanos da Argentina

“Videla foi o símbolo da ditadura, do terrorismo de Estado e de anos trágicos para a Argentina”
Daniel Scioli, governador de Buenos Aires

“Os miseráveis também morrem”
Abelardo Castillo, fundador da revista El Grillo durante a ditadura