terça-feira, 11 de junho de 2013

Seguindo os passos do Uruguai, Equador avalia legalizar drogas para combater narcotráfico

Mujica e Correa
O Equador é o segundo país da América Latina a reconhecer que a estratégia de combate ao narcotráfico criada e exportada à força pelos Estados Unidos (baseada na repressão) não está dando certo. Ricardo Patiño, ministro das Relações Exteriores de Rafael Correa, disse nesta terça-feira (11/06) que a saída pode ser “uma certa despenalização, uma certa legalização” das drogas, assim como Pepe Mujica propõe no Uruguai com a maconha.

Por enquanto, não há nenhuma indicação por parte do Equador de ação concreta nesse sentido. Já no Uruguai, o projeto que legaliza a maconha (principal fonte de receita do narcotráfico) deve ser votado no próximo mês no Senado e na Câmara. Como o governo tem maioria nas duas casas, a proposta deve ser aprovada sem problemas. Pontos de discordância entre os quase 30 partidos que formam a base de Mujica foram acertados em reuniões desde dezembro do ano passado, quando o presidente recuou por causa das divergências internas.


O fato de um segundo país latino-americano reconhecer abertamente que a estratégia da repressão está dando errado é muito significativo e representa, ainda que de forma discreta, uma mudança de rumo no enfrentamento ao narcotráfico. A questão é tão delicada que, mesmo sem propor nada, o chanceler do Equador pisa em ovos ao tocar no assunto. Ele defende “uma certa” legalização ou despenalização das drogas. Não compra a briga, pois sabe que está falando para uma população que, apesar de ter um governo de esquerda há alguns anos, ainda é muito conservadora nessas questões.

É fácil supor que o próximo país a discutir essa questão deve ser a Bolívia. A histórica demanda do presidente Evo Morales de legalizar o uso das folhas de coca, costume tradicional indígena, é o mais forte indicativo que seu país também olha a questão de outra forma. No entanto, neste momento Morales está preocupado com a reeleição e concentra esforços em outra velha reivindicação do país: a briga com Chile para recuperar o acesso ao Pacífico. Ao que parece, esse assunto é mais rentável politicamente tanto para Evo, quando para Sebastián Piñera.

E o Brasil? Questões polêmicas como essa mudança de estratégia no combate ao tráfico de drogas enfrentam resistência até para o debate na nossa classe política, que ainda é quem decide. Basta ver os exemplos que aí estão: o matrimônio igualitário, por exemplo, é um tema que urge em todo o mundo minimamente civilizado e patina no Brasil. Enquanto Argentina e Uruguai já vivem essa realidade de igualdade, por aqui saiu um casamento gay com jeitinho bem brasileiro só porque a sexta economia do mundo não pode ficar pra trás...

Se essa radical mudança de estratégia de combate ao narcotráfico começar a ganhar espaço na América Latina, temos motivos de sobra para acreditar que chegará por último em terras tupiniquins.