domingo, 10 de novembro de 2013

“Gracias, Pepe... por existir”

Se você já esteve aqui, deve ter percebido que - assim como muita gente - sou um grande admirador do presidente uruguaio Pepe Mujica. Não é por acaso: esse tupamaro de 78 anos apresenta uma longa lista de motivos para ser admirado: começa em seu passado de luta pela liberdade, passa por sua vida simples e vai até as mudanças implantadas no Uruguai durante seu governo.

Os dois minutos que tive para conversar com Mujica, na terça-feira, 5 de novembro, não foram suficientes para dimensionar o tamanho da minha admiração pessoal. No entanto, esse breve momento ficará guardado na minha memória para sempre: a rápida conversa, o sorriso quando perguntei sobre Manuela (a cadela de três patas), o abraço, o cafuné e a piada com a minha baixa estatura marcaram a primeira oportunidade que tive de dizer “gracias” ao Mujica, “pero por existir”.

Fui ao Uruguai a trabalho, acompanhando o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, em agenda oficial. Na terça-feira, o governador palestrou sobre os desafios da nova democracia na Fundação Líber Seregni, que fica ao lado da sede da Frente Ampla. Na plateia, sentados entre os demais, estavam Pepe e sua mulher, a senadora Lucía Topolansky.

No Uruguai, situações como essa são comuns. Você pode sair para caminhar pela Ciudad Vieja e encontrar o presidente sentado em um bar. Não são poucos os turistas brasileiros que se depararam com Mujica, Lucía e Manuela em algum café ou restaurante de Colônia do Secramento, por exemplo. Pepe sempre atende aos pedidos de foto e distribui sorrisos.

Pepe não parece acostumado a ser pop: quando os elogios começam, ele baixa a cabeça e sorri timidamente, como se duvidasse das palavras do interlocutor. Não é desconfiança, é algo entre timidez e humildade. O jeito simples de Mujica desarma qualquer formalidade e conquista qualquer coração, estrategicamente posicionado no lado esquerdo do peito.