segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Costa Rica pode dar guinada histórica à esquerda nas eleições de fevereiro

José María Villalta, o deputado de esquerda que fez os colegas aprovarem o casamento gay sem querer.
O advogado e ambientalista José María Villalta tem grandes chances de ser o próximo presidente da Costa Rica. Único deputado do esquerdista Frente Amplio, José María faz uma campanha exitosa. Começou com apenas 4% das intenções de voto (na pesquisa de agosto) e, segundo o último levantamento (janeiro), aparece liderando a corrida presidencial com 29%.

O deputado esquerdista se destaca entre os demais candidatos. Faz parte de um partido novo (fundado em 2004) e que nunca governou o país. Não carrega nas costas o peso de um bipartidarismo que se repete na Costa Rica desde os anos 40, com os partidos Liberação Nacional (PLN) e Unidade Social Cristã (PUSC).

É opositor ferrenho da atual presidenta Laura Chinchilla em temas polêmicos como o aborto, a maconha e a união entre pessoas do mesmo sexo. Chinchilla é muito próxima da Igreja Católica e, inclusive, participou de marchas contra o aborto e se manifestou publicamente contrária à igualdade de direitos entre homossexuais e heterossexuais. 

José María Villalta se posicionou sobre esses e outros temas controversos: como deputado, fez os colegas aprovarem o casamento gay sem saber em agosto passado. Ele incluiu, “de maneira criativa” (palavras dele), no projeto da Lei da Pessoa Jovem uma frase que dava aval às uniões civis entre pessoas do mesmo sexo e os colegas aprovaram o texto sem ler; 2) apoia o aborto em casos que oferecem risco para a mãe; 3) apoia o uso de maconha com fins medicinais.

Villalta é o diferente com cautela, pois depende de um eleitorado conservador para se eleger. Seu slogan de campanha já aponta nessa direção: “Sim, há em quem votar”. Além de jovem (36 anos), entrou na política a partir dos movimentos estudantis. Logo abraçou a causa do meio ambiente e tem se destacado como principal ativista do país nessa área.

Além de José María Villalta, outros dois candidatos têm chances de disputar o segundo turno: Otto Guevara, que apesar do sobrenome integra o neoliberal Movimento Libertário, um partido que sempre esteve na oposição. O próprio Guevara concorreu nas últimas três eleições e perdeu.

Laura Chinchilla apresenta como sucessor Johnny Araya, ex-prefeito de San José, a capital do país. Representante do Partido Liberação Nacional, Ayala tem a difícil missão de convencer o eleitor a votar em um projeto marcado por denúncias de corrupção e escândalos políticos. O engenheiro também enfrenta processos por suspeitas de irregularidades em sua administração de 22 anos na prefeitura de San José.

Dados da última pesquisa:
José María Villata (Frente Amplio, esquerda) – 29%
Johnny Ayala (PLN, situação) – 26%
Otto Guevara (ML, neoliberal) – 26%
Luis Guillermo Solís (PAC, socialdemocrata) – 7%
Rodolfo Piza (PUSC, democrata-cristão) – 5%