segunda-feira, 12 de maio de 2014

Pesquisas mostram que Frente Ampla consolida vantagem no Uruguai

As últimas quatro pesquisas eleitorais no Uruguai apresentaram praticamente o mesmo cenário. Nelas, a Frente Ampla, coalizão de quase 30 partidos que governa o país, apa
rece com a mesma porcentagem de intenção de votos (43% em três pesquisas e 41% em uma delas).
Ao mesmo tempo em que a coalizão de esquerda parece estar consolidada, os partidos opositores, juntos, ficam com o resto do bolo. Outra curiosidade da pesquisa eleitoral uruguaia é que o número de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou anular é muito baixo: menos de 6%.
São quatro grandes frentes políticas que disputam o eleitor uruguaio: a coalizão Frente Ampla, que reúne quase 30 siglas de esquerda e chegou ao poder com Tabaré Vázquez, que está na disputa novamente (Uruguai não tem reeleição imediata); os blancos, do tradicional Partido Nacional, que hoje são a segunda força política; o Partido Colorado, também de direita, que estava acostumado – assim como os blancos – a governar o país antes do surgimento da Frente Ampla; e, por fim, o Partido Independente, movimento que surgiu já nos anos 2000 e busca se posicionar no centro do espectro político servindo de alternativa à esquerda frenteamplista e à direita blanca ou colorada.
A pesquisa da empresa Cifra aponta 43% para a Frente Ampla, 30% para o Partido Nacional, 18% para o Partido Colorado e 2% para o Partido Independentes. O levantamento da Mori mostra também 43% para a Frente Ampla, 28% para os blancos, 16% para os colorados e 2% para os independentes. O resultado da pesquisa da Factum foi bem similar: Frente Ampla 43%, blancos 27%, colorados 15% e independentes 4%. Na Interconsult, a Frente Ampla tem a preferência de 41% dos eleitores, o Partido Nacional fica com 28%, o Colorado com 14% e os independentes com 4%.

A presidenta da coalizão governista, a ex-senadora Mónica Xavier, vê a oposição “supervalorizada” nas pesquisas e acredita que a Frente Ampla “decolará” a partir de junho, assim como ocorreu em 2009, na eleição de Mujica (LaRed21, 12/05/2014). O grande desafio da esquerda uruguaia é conquistar maioria legislativa para governar mais quatro anos com possibilidade de implementar seus projetos.
Mujica conseguiu governar com relativa tranquilidade nesses últimos quatros anos “por uma cabeza”, literalmente. A Frente Ampla tem 16 das 30 cadeiras na Câmara Alta. Blancos e colorados dividem as outras 15 vagas. Nenhum senador frenteamplista tem o direito de ter uma indisposição estomacal em dias de votações importantes. Tabaré Vásquez quer manter essa vantagem ou, na melhor das hipóteses, ampliá-la. Para a sorte dos esquerdistas uruguaios, o cenário agora é muito parecido com o da eleição anterior.