segunda-feira, 16 de março de 2015

A mídia internacional ridicularizou os protestos?

A mídia internacional noticiou as manifestações de ontem no Brasil dando destaque para algo que a maioria dos que foram para a rua não queria. Os vários pedidos de intervenção militar, que apareceram em todos os protestos, foram criticados no exterior. Para alguns, o Brasil foi ridicularizado.

Cartazes agressivos contra a presidenta da República também foram alvo de críticas. A Forbes chamou o que se viu nas ruas de “festival do ódio”, o Guardian comparou com as manifestações de 2013 e viu um público mais velho, mais branco e mais rico.

Mas por que a mídia internacional decidiu destacar o lado “pitoresco” das manifestações em detrimento das motivações da maioria? Talvez a resposta seja um velho vício midiático original de países que se acham superiores.

O que a imprensa estrangeira fez em relação ao Brasil foi exatamente a mesma coisa que a imprensa brasileira faz, há anos, em relação aos países vizinhos da América Latina. Argentina e Venezuela só entram no noticiário brasileiro quando existe algo anormal. Os presidentes desses dois países são tratados como malucos nas páginas dos jornais.

O “pitoresco”, para um público que não está familiarizado com o assunto, vende mais jornal, rende mais cliques e dá mais audiência na televisão. O tratamento adotado pela mídia internacional em relação aos protestos não surpreende. Se incomoda, paciência... Desde criança aprendi a não fazer com os outros aquilo que não quero que façam comigo.